O Lobo de Wall Street: Genial. Brutal. Atual

Mais um filme de Martin Scorsese que vai entrar pra história

Em O Lobo de Wall Street, Martin Scorsese, novamente, conduz um diálogo genial com o público. Linguagem forte, cenas brutais misturadas com um humor mordaz fazem deste brilhante diretor um forte candidato ao Oscar deste ano. De toda forma, não é necessária uma estatueta para legitimar a relevância e impacto dessa obra – não só do ponto de vista artístico, mas, sobretudo do ponto de vista social.

O longa é uma adaptação do livro Memórias sobre Jordan Belfort, um corretor de títulos da bolsa norte-americana que entrou em decadência nos anos 90. Talentoso e ardiloso, Belfort chegou a contar com cerca de mil corretores na bolsa e foi envolvido em emissões de ações fraudulentas no valor de mais de US$ 1 bilhão. Bem sucedido na vida profissional, Belfort levava uma vida festeira e regada as drogas. O fato, no entanto, é que o filme choca menos pelos devaneios da vida pessoal do protagonista e mais por seu retrato do mercado financeiro absolutamente atual, apesar de se passar na década de 90.

Agentes do mercado financeiro continuam sim a manipular clientes, ricos e pobres. O cliente está longe de ser a prioridade em muitos casos. A falta de incentivo à educação financeira facilita ainda mais o cenário para os trapaceiros. O alerta permanece e deve ser repetido e questionado cada vez mais. Conflitos de interesses, produtos de baixa qualidade e capacidade de “empacotar” ao invés de personalizar um planejamento financeiro de acordo com o projeto de vida do cliente são tão atuais e brutais como no Lobo de Dicaprio. Um verdadeiro Caligula moderno. Infelizmente, a Roma de ontem é a Nova York, a São Paulo, a Londres e tantos outros centros financeiros dos dias de hoje. A coragem de cutucar esta ferida que rapidamente foi esquecida após poucos anos vale mais que ingresso: vale a reflexão.

* Marcio Neubauer é sócio diretor da Soma Invest, empresa especializada em planejamento financeiro. Formado em engenharia civil, tem mestrado em administração pela Universidade de Chicago (MBA) e formação executiva em políticas públicas pela Harvard Kennedy School. Liderou as operações de estruturação do time para América Latina da Intel Capital (ICAP), fundo de investimento corporativo da Intel Corporation

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